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Axel Borsh-Supan é o director fundador do Instituto de Pesquisa da Economia do Envelhecimento. Publicou múltiplos artigos sobre economia caseira, decisões sobre
a reforma e implicações económicas do envelhecimento.

É consultor do Ministro da Economia da Alemanha, e pertence à Unidade de Pensões
de Reforma da Comissão da Segurança Social da Alemanha. É membro da Comissão Presidencial para as mudanças demográficas e coordenador do Centro de Pesquisa
de sáude, envelhecimento e reforma na Europa.

 
Pensa que as pessoas devem informar-se sobre o dinheiro necessário para suportar
a reforma?

Sim. Devem estar informados sobre:
> O que vão receber através de pensões públicas, incluindo os efeitos da inflação e dos aumentos salariais.
> O que vão precisar de poupar para manter, quanto se reformarem, o mesmo nível de vida
de quando eram trabalhadores, e o mesmo nível que os actuais  reformados usufruem.

Pensa que os incentivos ao nível das reformas, as melhores condições de trabalho
e os cuidados de medicina preventiva, são suficientes para aumentar o emprego
entre os seniores? Porquê?

Vamos ser claros: a mudança mais importante são os incentivos na reforma. A maioria das pensões públicas têm fortes incentivos à reforma antecipada, por exemplo, por nao creditar anos suficientes. Esta situação piora com leis brandas no que toca a subsídios de desemprego ou subsídios de incapacidade ou invalidez, que efectivamente levam a reformas antecipadas em
vez de irem ao encontro do seu verdadeiro objectivo que é o de proteger os desempregados
ou incapacitados. Apesar das melhores condições de trabalho e dos cuidados de medicina preventiva,  precisamos de compreender que o significado da idade mudou. Uma esperança média de vida 10 anos mais longa significa que quem tem 60 anos agora parece-se com os que tinham 50 anos há duas gerações atrás. A imagem da idade dos nosso avós, não se irá aplicar
a nós quando tivermos a mesma idade, porque podemos esperar ser mais saudáveis e viver
mais anos.

Como se podem tornar os locais de trabalho mais apelativos para os seniores?
Mantendo os trabalhadores mais velhos formados. Não desistam deles, demasiado cedo,
no que toca à formação para o futuro, em idades como aos 45 anos.

De que modo podem os trabalhadores mais velhos ser um  factor competitivo para empresas e organizações?
 Os trabalhadores mais velhos têm mais experiência. Em geral, aprenderam mais formas de lidar com os conflitos numa equipa, do que os colegas mais novos. São mais calmos e  têm uma maior prespectiva a longo prazo. São mais leais para com a empresa – em geral claro.

Portugal tem uma das mais curtas esperanças médias de vida da União Europeia
(74,2 anos para os homens e 80,8 para as mulheres). No entanto, os portugueses reformam-se tarde ( aos 65,8 anos de idade em média, uma das idades de reforma
mais tardias dos estados membros).

A maioria dos trabalhadores também se reformam tarde?
Primeiro, devemos distinguir entre os trabalhadores rurais e os industriais, e entre trabalhadores por conta própria e os trabalhadores em empresas. Não tive acesso a uma análise detalhada
e estratificada da reforma nestas categorias. Só com esta análise podemos dizer quais
os segmentos que têm de ser adaptados a uma vida mais longa. Em segundo lugar, estou confiante que   a esperança média de vida em Portugal vai continuar a subir. Daqui em diante, serão necessárias adaptações.

 
 
                 
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